A agricultura vai mudar de novo

Colunista Cristiano Silveira dos Santos fala sobre a tecnologia aplicada na agricultura

Sempre nas minhas palestras ou mentorias que faço, menciono o futuro. O futuro tem uma função bem nobre que é dar esperança, dar uma expectativa, dar um norte, dar um tempo para os projetos, os sonhos se realizarem. E claro, o futuro vem sempre mais desafiador. Parece aqueles jogos que a cada fase, tem um vilão ou desafio mais forte para passar.
Hoje quero falar de futuro aplicado, sem teorias, mas com muita ciência e tecnologia. Acredito e defenderei sempre isso que o futuro são as pessoas, mas com muita tecnologia aplicada.
A cada dia que passa, todas as áreas estão passando por uma revolução com o emprego da tecnologia. Basta ver os avanços nos últimos anos da área financeira, desde serviços mais conectados até moedas totalmente virtuais. Mobilidade, com veículos melhores, mais rápidos, mais seguros, mais inteligentes. Saúde, com equipamentos cada vez mais precisos, mais inteligentes, mais rápidos. E por aí vai!
E a agricultura? Nos últimos 5 anos, uma verdadeira revolução está acontecendo nessa área. Desde melhorias nas sementes até inteligência artificial e big data. Ok, como assim Cristiano?
Para entender melhor tudo isso, tive o prazer de conversar com um dos caras que está liderando essa revolução. O nome dele é Alexandre Monteiro Chequim, diretor da startup Digifarmz. Formado em Agronomia pela UFSM e MBA em Marketing estratégico.
O Alexandre e eu integramos a diretoria da Associação de Jovens Empreendedores de Santa Maria - AJESM - em 2006. Nos encontramos em São Paulo para falar a respeito de tecnologia e agricultura, duas áreas muito mais próximas que você imagina. Nessa conversa, tive uma real dimensão do que está acontecendo na área de agricultura. Por isso que cito REVOLUÇÃO como a palavra mais apropriada.
A Digifarmz é uma startup que tem sede em São Paulo e participa do processo de crescimento exponencial de uma das maiores aceleradoras de startups da América Latina, a ACE. A startup criou uma plataforma online que auxilia produtores, técnicos e agrônomos no manejo das doenças da soja (algumas das principais doenças são oídio, cercospora e ferrugem asiática).
Mas o que chama a atenção desse negócio é a tecnologia envolvida. A Digifarmz possui algoritmos próprios que acessam uma base de dados com mais de 12 anos de pesquisas, atualizadas e ampliadas anualmente, sobre informações de cada talhão e fazenda. Com isso, aplicam 18 variáveis bióticas e abióticas que geram informações de altíssima precisão para o produtor tomar a melhor decisão no controle de doenças na cultura da soja.
Hoje, no modelo tradicional de controle de doenças, o produtor se baseia muito em informações comerciais de defensivos agrícolas ou no histórico de algum outro produtor, sem muita noção de quantidade da aplicação, tempo, local ou o próprio defensivo, causando um impacto ambiental descontrolado, com uma produtividade baixa e resultado abaixo do esperado.
É nessa hora que entram o big data, data mining e inteligência artificial. Baseado em histórico e predição matemática, os algoritmos conseguem identificar um padrão tão preciso, que geram uma informação com assertividade muito alta para o combate das doenças da soja, como quando aplicar, o que aplicar, onde aplicar, quantas vezes, dosagem e vários outros parâmetros.
Produtor, tecnologia aplicada é resultado direto!
Em resumo, segundo o Alexandre, é como pilotar um avião. Os produtores atuais estão pilotando um avião sem painel, só no "feeling". O que a tecnologia desse nível propõe é colocar um painel na frente deles para terem uma decisão mais assertiva, com foco nos interesses deles, com menor impacto ambiental e econômico, gerando mais produtividade e retorno financeiro, com menor custo.

De acordo com as pesquisas, a perda de produtividade beira a 50%, quando não são realizados os cuidados certos para combates as doenças da soja.
Isso é um impacto muito grande. Hoje, no mundo, existem mais de 126 milhões de hectares em área de soja, sendo que no Brasil, são quase 37 milhões de hectares, em torno de 30% da área mundial, segundo a United States Department of Agriculture (USDA). Ainda, segundo a USDA, o Brasil tem uma área disponível para cultivo da soja em torno de 261 milhões de hectares. É muita área mesmo!

Se então, com a ajuda massiva da tecnologia, a agricultura conseguisse reduzir a perda por doenças na soja e recuperasse em torno de apenas 10 sacos por hectare, teríamos algo em torno de uma produção de 370 milhões de sacos a mais. Isso, caro leitor, com um custo de R$ 75,00/saco, acrescentaria na economia uma receita aproximada de R$ 27 bilhões.
Aí você pensa: "Ok Cristiano, mas o que eu tenho a ver com a soja, se eu não sou produtor?"
Mas é claro que você tem a ver com isso. Segundo a Food and Agriculture Organization of the United States (FAO), a previsão é que em 2030 (simplesmente daqui a 10 anos), seremos 8.3 bilhões de pessoas no mundo, demandando 60% mais alimento, 50% mais energia e 30% mais água que hoje.
E mais. Você sabia que estão substituindo tudo que é feito a partir do petróleo para derivados de soja, como pneus, tintas e combustíveis? E culinária então, que estão usando a soja como base de produtos que pretendem substituir a carne
Tem muita coisa ainda para avançar, mas está muito claro que a tecnologia vai catapultar a agricultura para patamares de produtividade muito altos. Quer saber mais sobre isso? A Digifarmz estará com um estande no evento IV seminário Phytus Elevagro Experience, que acontecerá no dias 03 a 05 de julho em Porto Alegre.
Viu como o futuro é sensacional? Então, te convido para juntos podermos construí-lo, hoje.
Abraço e sucesso. 
Cristiano Silveira 

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