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Dia internacional do trabalho também serve para os robôs?

Colunista fala sobre mudanças da relação de trabalho

Dia do trabalho, dia do trabalhador ou dia internacional do trabalho. Conhecido por vários nomes, mas o significado é o mesmo, marcar a data como um símbolo de luta pelos direitos trabalhistas. Data essa historicamente gravada no dia 1º de maio de 1886, em Chicago, Estados Unidos, em uma greve geral quando 500 mil trabalhadores saíram às ruas para exigir melhores condições de trabalho e redução de carga horária para 8h diárias (como é até hoje).


Ok, mas... o que a tecnologia tem a ver com isso? Basicamente, tudo. Que a tecnologia revolucionou a forma como trabalhamos, não há dúvida. Desde o "debulhador de milho" (clássico) até o mundo atual, basicamente digital. 
Mas o que está chamando a atenção são os próximos anos, que terão uma mudança muito grande nas relações de trabalho e na forma como trabalhamos. Toda essa mudança bastante influenciada pela inteligência artificial.
Não quero me tornar repetitivo, mas a discussão que os robôs roubarão os empregos em um futuro próximo está somente no início. Tem muita coisa ainda para evoluir. Segundo uma pesquisa realizada pela consultoria da McKinsey em 46 países, 60% das ocupações têm, pelo menos, 30% de tarefas com potencial de automação, e 15% das funções atuais serão substituídas ou eliminadas.

Pesquisadores da Universidade de Oxford, alertam que 54% dos empregos nos Estados Unidos e 77% na China estão na categoria "alto risco", isto é, empregos que podem ser automatizados na próxima década ou duas). Já a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), com uma estimativa mais baixa, afirma que essa automatização dos empregos chegaria em 9%.
Mas há quem estime o contrário. A consultoria Gartner prevê que até 2020 o número de novos empregos superará o número de empregos eliminados, em setores como saúde, educação e governo, pois terão um aumento de demanda e que as perdas nas posições de nível médio e baixo serão compensadas por posições de alta qualificação.

De acordo com o site Valor Econômico, um estudo da Deloitte indica que 65% das crianças que entraram na escola primária em 2016 quando se tornarem economicamente ativas (em torno de 15 anos), desempenharão funções que ainda não existem.

E nem vamos muito longe. Há 5 anos, você poderia ser contratado para ficar nas redes sociais o dia inteiro? 
Pois é, profissões que nem existiam a pouco tempo, hoje são essenciais para acompanhar o desempenho de empresas no mundo digital. E toda essa transformação tecnológica que estamos vivendo demandará mais gente envolvida, mais qualificada, mais preparada.

De acordo com o site The Verge, mesmo prevendo menos perdas de posições como as primeiras estimativas, ainda sim os maiores impactados serão os trabalhadores com menos habilidades e os jovens. Então, não há dúvida que buscar aumentar e melhorar as habilidades são as palavras-chaves. E isso a tecnologia pode te ajudar, e muito, por meio de plataformas digitais e cursos direcionados.
Cada vez mais as empresas estão querendo saber o que você entrega de resultado, não importando sua titulação, sua qualificação formal. Por isso, o surgimento de formações expressas e online estão fazendo um sucesso muito grande, no mundo todo.

Segundo o site FierceCEO, tanto a extinção de posições de trabalho, como a criação de outras posições já vem acontecendo há anos por conta da tecnologia. O que a inteligência artificial está fazendo é acelerando isso. E o recado é claro: reeducação.
Mas mesmo com todas essas afirmações, que devemos aprender a aprender, nos reeducar para essa nova era, ainda a conta não fechava. Pensa comigo, e se a inteligência artificial avançar tanto que a extinção de postos de trabalhos afetar as pessoas que não se qualificaram para então, se recolocarem. Como administrar esse "limbo"?
Parece que essa solução já foi dada. Segundo o site Revista PEGN, que entrevistou o professor da Universidade Hebraica de Jerusalém e autor do libro Sapiens, Yuval Noah Harari, a solução seria criar uma espécie de "renda básica universal", onde essas pessoas que estariam desempregadas teriam suporte dessa forma. Mas, segundo o professor, esse não é o maior desafio. O problema real é manter essas pessoas ocupadas para que não enlouqueçam.

E é aí que a tecnologia entra novamente. Uma solução apontada pelo professor consiste em jogos de computador, em que as pessoas passariam bastante tempo dentro de mundos de realidade virtual 3D. Quanto mais tempo e atividades fazerem por lá, mais pontos ganham e assim, atingem objetivos estipulados. Ainda segundo ele, esse mundo virtual é uma aplicação bem semelhante ao que as religiões fazem atualmente.

Se você assistiu a série Black Mirror, no Netflix, vai entender melhor aquele episódio das pessoas correndo o dia inteiro nas esteiras. (Pronto, parei aqui para evitar spoiler)

E você, concorda com essa solução?


Abraço e sucesso.

Publicada originalmente na coluna Tecnologia do jornal Diário de Santa Maria 

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